Abobrinhas de Nelson Pretto

artigos, notas e comentários sobre... qualquer coisa, yeah!

Das grades à redes... notas para a 4ª CNCTI
[info]nelsonpretto

4a. CNCTI - Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação

Seminário "Educação de Qualidade em Todos os Níveis",

Mesa: Ensino de Ciências

Notas para a minha fala. Aguarde o texto.

Desafios para o ensino das ciências

Das grades à redes: curriculares, de formação de professores, de instituições, de ....

Nelson De Luca Pretto, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia - www.pretto.info | nelson@pretto.info

Esquema

1. Importância das Conferências Nacionais.

primeira conferencia em 1941 (divulgado pela Presidência na Teia 2010)
Só do final de 2009 e 2010 mais de 7 Conferencias Nacionais.
Importância da participação da sociedade organizada.
O ensino de ciências é tão importante que não deveria ser discutido somente por cientistas!

2. Quanto encontramos a resposta, percebemos que a pergunta já é outra!


3. Articulação da Ciência e Tecnologia com Educação, Cultura e Comunicações (no mínimo)

política partidária - loteamento do ministérios.

4. Formação de professores

antigo problema - valorização do professor - formação: papel das faculdade de educação.
Rede - rede de comunicação e aprendizagem
Currículo
Infra estrutura - incluindo arquitetura
Material educacional

5. Política explicita de uso de Software Livre


Filosofia hacker <=> a base é a colaboração e e generosidade.A produção de conhecimento científico se dá a partir das discussões abertas das soluções geradas. Colaboração de fato e não a da "co-autoria amigável" (Sguissardi e Silva Jr, 2009)
Qualificação da juventude para suporte e desenvolvimento em software livre. Política púlica articulada com políticas de trabalho e primeiro emprego (exemplo de Irecê).
Articulação com Portal do Software Público Brasileiro e CulturaDigital.br.

6. Licenciamento aberto e padrões abertos de documentos

- Rossio não-rival (singela homenagem a Imre Simon)

- articulação com MinC na discussão sobre a Reforma da Lei de Direito Autoral ((lei 9.610/98) - consulta pública em abril.2010
- apoio à publicação de livros com licenças abertas (CC ou Copyleft) <=> valorização nas avaliações
- adoção de padrões abertos de documentos (odt) e dos CODECS de áudio (Ogg Vorbis, FLAC) e vídeo (Ogg Theora, Dirac) livres de patentes.

7. Material educacional (e cultural)

Recursos Educacionais Abertos (REA) - incentivo
    - produção de materiais com licenciamento aberto
    - intensificação no uso de suportes diversos como áudio (rádio web), vídeo, objetos digitais, wikis
    - apoio ao Portal do Software Público Brasileiro
    - apoio ao Domínio Público
    - apoio a produção por pares de "objetos discretos" para a educação (exemplo RIPE) = Ir além do licenciamento aberto. Possibilidade e incentivo à remixagem.

    - incentivo ao uso de ferramentas em software livre para a elaboração, manutenção e gerenciamento de recursos educacionais abertos

8. Portal de periódicos da CAPES

importante investimento ma aquisição dos direitos e viabilização do acesso

porém, duas frentes paralelas:

I. necessidade de outras intervenções:

    - infra estrutura nas bibliotecas públicas (máquinas + impressoras)
    - Apoio e envolvimento na definição do PNBL
    - articulação com Proinfo e UCA

II. pelo menos igual investimento na política de Arquivos Abertos

    - trabalho do IBICT com o SEER e INSEER
    - política de valorização nas avaliações de publicações em revistas de acesso aberto

Intensa incorporação de redes sociais nos processos educacionais.
Mudanças na Políticas do Livro Didático => ênfase em REA

8. Pontos de Ciência e Tecnologia

Pensar numa forte articulação com os Pontos de Cultura (e com o modelo Ponto de Cultura) como uma possibilidade concreta de, através dos kits multimídia (<=> cultura digital) estimular que os mesmos possam, junto com professores e alunos das escolas da região produzirem materiais e programas de divulgação científica como forme de apoio e suporte à formação científica da juventude.
Articulação com os NTEs no sentido de se constituírem também em pólos produtores de material educacional, cultural e científico

Dificuldade de gestão (os recursos não chegam na escola e quando chegam são mal aplicados) = aprender com a experiência do MinC: outras formas de promover os editais, outra forma de (tentar) fazer as prestações de contas. outras formas da gestão pública... pensar! Não adiants culpar a escola, diretores e professores!

Penso que é muito mais do que popularização da ciência. É formação!
A dicotomia entre o não forma (extra curricular) e o formal (curricular). A escola é o purgatório para a passagem para o aprendizado pelo lúdico e prazeroso.

9. Rede de formação de professores

Articulação do sistema como uma todo. Exemplo da Bahia (mapa com a localização das IES) <=> rede de formação de professores e produção de recursos educacionais abertos.
Mostrar o exemplo da Bahia. Mapa da distribuição das IES (públicas)

Texto




As necessárias reformas no direito autoral
[info]nelsonpretto
Em função da importância do tema, reproduzo aqui a nota do MInC sobre como ele está pensando e propondo a questão dos órgão arrecadadores.
São muitos os pontos e esse é um deles e bastante importante. Ao final a matéria de hoje do Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão, apresentando a reação contra essa posição do MinC.
O debate é longo e duro...

OS DIREITOS AUTORAIS EM DEBATE – A posição do Ministério da Cultura

O tema Direito Autoral está na pauta das discussões por todo o país. E muito disso se deve ao esforço do governo federal de torná-lo central na formulação das políticas públicas e colocar a regulação dos direitos autorais como instrumento imprescindível para o desenvolvimento da economia da cultura no país.

As indústrias direta ou indiretamente relacionadas ao direito autoral são responsáveis por mais de 7% das riquezas produzidas nos países desenvolvidos, segundo a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI). A tendência é de aumento da riqueza gerada nesse setor, devido à aceleração das mudanças trazidas pela tecnologia e cultura digital, que produzem uma nova rede de relações sociais com novos modelos de trocas simbólicas e econômicas. Seríamos irrealistas se não reconhecêssemos que essa nova realidade impõe-se a todos nós, indiscriminadamente: autores, investidores, usuários, consumidores das obras intelectuais e Estado. Portanto, e dado o peso da responsabilidade pública com tema tão caro e sensível a todo o setor cultural, o Ministério da Cultura (MinC) lançou em 2007 o Fórum Nacional de Direito Autoral, para levantar essa discussão com a sociedade. Foram promovidos 8 seminários e mais de 80 reuniões com diversos setores da sociedade envolvidos com o tema, objetivando discutir a Lei 9.610/98 (Lei de Direitos Autorais) e o papel do Estado neste campo. A maioria dos seminários foi transmitida em tempo real pela internet, através do portal do Ministério da Cultura, o que permitiu envolver de forma direta mais de 10.000 pessoas no debate, entre participantes presenciais e a distância. O endereço www.cultura.gov.br/direito_autoral mantém registros em texto e audiovisual das discussões realizadas.

Durante todo o processo, o MinC apresentou propostas que foram aperfeiçoadas pelos interlocutores. Neste momento, de posse das diversas sugestões e críticas surgidas dos debates e das consultas setoriais, o governo federal está elaborando uma proposta de revisão da lei que em breve será objeto de uma consulta pública, onde a sociedade poderá manifestar-se sobre o seu teor.

Entre os principais objetivos da proposta estão ampliar e assegurar efetivo estímulo e proteção aos autores e às suas criações; promover o equilíbrio de direitos entre todos envolvidos; ampliar e democratizar o acesso da população aos bens e serviços culturais; sintonizar a legislação com os novos paradigmas estabelecidos pelo ambiente digital; e viabilizar a atuação do Estado na formulação de políticas públicas de promoção, supervisão, regulação e defesa dos interesses da sociedade e do País no âmbito interno e nos fóruns internacionais.

No entanto, antes mesmo de conhecer a proposta final, alguns setores tem manifestado suas discordâncias, especialmente no que tange uma possível supervisão estatal nas sociedades de gestão coletiva.

Nossa proposta é que o Estado retome seu papel no campo autoral, corrigindo distorção que a lei vigente criou ao destituir o poder público de meios adequados para atuar na regulação de matéria de tamanha importância. Atualmente o Brasil é um dos raros países democráticos do mundo que não tem poder de regulação nessa seara. Nesse sentido, lançaremos à consulta da sociedade a idéia de ser estabelecida supervisão sobre as entidades de gestão coletiva arrecadadoras de direitos, que ocorrerá baseada na verificação do cumprimento, por parte destas sociedades, de uma série de obrigações que envolvem transparência, publicidade e fiscalização de seus atos pelos seus associados e representados.

Além disso, propõe-se a implantação de uma instância administrativa para poupar os autores de longas e custosas disputas jurídicas – sem qualquer prejuízo do direito deles de recorrer ao Judiciário. A proposta também prevê que o Estado seja dotado de maior capacidade para atuar na defesa dos interesses do país na área internacional; organizar os serviços de registro; e estimular a difusão do direito autoral. De fato, parte-se da premissa de que toda e qualquer atividade econômica relevante que lida com os chamados bens públicos demanda a presença do Estado como regulador e normatizador: telefonia, luz, água, meio ambiente, transportes etc. O bem cultural, no seu sentido econômico, é um bem público. Também nesse campo o Estado não entra como agente voluntarista, mas como regulador e conciliador em um mercado cujas relações, interesses e efeitos se estendem transversalmente por toda a sociedade.

O papel de regulação e supervisão, no entanto, não pode ser confundido com uma pretensa “estatização” dos direitos autorais, que assumiria, para alguns que buscam deturpar essa proposta, a face da “estatização” da arrecadação dos direitos autorais. Não há qualquer fundamentação nessa assertiva. Como estabelece a própria Constituição, em seu artigo V inciso XXVIII, cabe aos autores fiscalizar o aproveitamento econômico de suas obras. A arrecadação e distribuição de direitos autorais, nesse sentido, permanecerão por conta das entidades de gestão coletiva de direitos autorais. Caberá ao Estado apenas recuperar seu papel de órgão supervisor e regulador dessas entidades (e não do serviço em si), inclusive assegurando aos autores que suas entidades estão de fato lhes representando, e dissuadindo a realização de práticas abusivas. Não será, assim, criado nenhum órgão público de arrecadação de direitos autorais.

A nova proposta nada tem de intervencionista, até porque não cabe ao Estado gerir direitos privados, como é o caso do direito de autor. O que pretende é colocar o Brasil ao lado de todos os países democráticos do mundo, que atuam na supervisão e regulação dessa área, de importância cada vez maior para a Economia da Cultura. O que o governo brasileiro necessita é fazer a supervisão e a regulação das entidades de gestão coletiva que atuam nessa área, com a finalidade aperfeiçoá-las, de torná-las mais transparentes em sua atuação e com maior legitimidade diante dos autores, conciliando os conflitos entre usuários e titulares e buscando reduzir a inadimplência.

A proposta de revisão da lei ambiciona se constituir em um instrumento para desenvolver e consolidar a economia da cultura no País, ao mesmo tempo em que garanta os direitos constitucionais dos autores e da sociedade de ter acesso à educação, à informação e à cultura. Ela busca valorizar os criadores e artistas nacionais, que passarão a ter maior poder de arbítrio sobre a gestão de suas obras e, ao mesmo tempo, promover o desenvolvimento nacional ao garantir o acesso justo da sociedade aos bens e serviços culturais, sem prejuízo dos titulares.

Para obter êxito, a proposta atualizará diversos dispositivos. Para diminuir o desequilíbrio na relação entre criadores e investidores, aprimorará os instrumentos de relação contratual, que passam a refletir expressamente a influência do Código Civil em vigor. Busca-se aprimorá-los, adaptando a lei autoral à nova teoria contratual, e com isso dando maior segurança jurídica para o autor defender seus direitos quando do estabelecimento de relações contratuais. Para garantir um maior acesso ao conhecimento e à cultura para fins de pesquisa, educação, difusão cultural, entre outros, busca a ampliação das formas de uso de obras protegidas sem que seja necessária a autorização do autor, nem cause a ele um prejuízo injustificado.

Pelo seu caráter abrangente, a revisão proposta passa muito além de uma mera disputa com o staff que dirige há mais de vinte anos as sociedades de gestão coletiva. Seu objetivo é fortalecer o criador, permitir-lhe usufruir de maneira mais plena os frutos de sua criação frente aos intermediários, seja os que arrecadam e distribuem seus direitos, seja os editores de suas obras. Seu objetivo também é permitir que a sociedade possa ter acesso à cultura, sem causar prejuízo ao autor. E promover um ambiente de crescente estabilidade jurídica, facilitando o acesso a mecanismos de solução de disputas sobre Direito Autoral e promovendo o conhecimento sobre o tema. Enfim, a proposta busca que o direito de autor privilegie realmente o autor, e que este seja capaz de usufruir da utilização de sua criação seja no ambiente analógico tradicional seja no cada vez mais inovador ambiente digital.

Seminários realizados no âmbito do Fórum Nacional de Direito Autoral

Os Direitos Autorais no Século XXI – Rio de Janeiro – 05/12/2007 – MinC e Funarte

II Congresso de Direito de Autor e Interesse Público - Florianópolis, 16 e 17/06/2008 – UFSC, FGV/SP e MinC

A Defesa do Direito Autoral: Gestão Coletiva e Papel do Estado – Rio de Janeiro, 30 e 31/07/2008 – MinC e Funarte

Direitos Autorais e Acesso à Cultura – São Paulo, 27 e 28/08/2008 – MinC, USP e Funarte

Autores, Artistas e Seus Direitos – Rio de Janeiro, 27 e 28/10/2008 – MinC e Funarte

Seminário Internacional Sobre Direito Autoral – Fortaleza, 26, 27 e 28/11/2008 – OMPI, PNUD, MinC e MRE

Fórum Livre do Direito Autoral – Rio de Janeiro, 15, 16 e 17/12/2008 – UFRJ e MinC

III Congresso de Direito de Autor e Interesse Público – São Paulo, 09 e 10/11/2009  - UFSC, FGV/SP e MinC


A matéria no Jornal Nacional está aqui.

A teia da cultura e a educação
[info]nelsonpretto
A cultura está em debate. E em festa, na Teia 2010 em Fortaleza. A educação está em debate. Após as conferências estaduais, chegou o momento da Conferência Nacional de Educação (CONAE) que acontece em Brasília, de hoje até 1º de abril. São inúmeros aspectos a serem considerados, inclusive porque necessário se faz avaliar o que foi o Plano Nacional da Educação (2000/2010) que previa, por exemplo, estarem hoje no ensino superior 30% da população jovem de 18 a 24 anos. Longe ficamos desta meta, com menos de 14%, apesar de todo o investimento realizado nas universidades públicas nos últimos anos.
Mas esse é apenas um - importante, claro - dos aspectos de tantos outros que necessitam ser tratados.
Tenho dito, até com insistência, que o maior problema das políticas públicas federais (e vale ipsis litteris para as estaduais) é que se continuarmos a fazer composição dos governos atendendo aos partidos políticos que loteiam os cargos, cada ministério (e secretaria) continuará fazendo a sua política específica, querendo aparecer mais do que os outros. Na educação, um grande problema para a efetivação dessas políticas é a dificuldade que o MEC tem em "falar" com os demais Ministérios e, consequentemente, com as políticas públicas de Cultura, de Comunicações e de C&T, para citar apenas alguns. São diversos os aspectos a considerar, mas quero aqui aproveitar o período da realização da Teia 2010, evento que reúne integrantes dos quase 2.500 Pontos de Cultura do Brasil e exterior, para enfatizar a necessária e fundamental relação da educação com a cultura. Uma correta e importante política pública capitaneada pelo MinC - o Cultura Viva/Pontos de Cultura - está efetivamente mexendo com o país, promovendo o fortalecimento da cultura "vinda de baixo", com especial destaque para a cultura digital. Essa turma envolvida com os Pontos está produzindo como nunca. Vídeos, filmes, fotografia, rádio, artes plásticas, artesanato, enfim, produzindo culturas, num plural pleno, com um enorme potencial de efetivamente transformar a nossa triste e injusta realidade. Esse conjunto, que é muito, muito maior que a soma das partes, está agigantando cada grupo, trazendo para os processos de produção cultural algo que está, cada dia mais, sendo esquecido nesta nossa sociedade consumista e individualista: os ideais de colaboração, compartilhamento e generosidade. A rede está montada. A Teia cobre o país de ponta a ponta. A TV Brasil, só para se ter um exemplo, mostra uma pequena parte disso no programa Cultura Ponto a Ponto, expondo e enaltecendo essa maravilhosa diversidade. Um programa, também ele, produzido de forma coletiva e colaborativa. Cerca de 400 pessoas, de mais de 100 Pontos, trabalharam durante 18 semanas de gravação na produção de mais de 130. Um jeito coletivo de produzir para superar o jeito individual de consumir, produtos e informações.
Mas a educação escapa! Foge da teia!
Lamentavelmente não consegue ver tudo isso. As Escolas não falam com os Pontos de Cultura e, também estes, não falam com as Escolas. Verdade que tentam, como no projeto Escola Viva. No entanto, na educação, tudo fica muito preso à uma lógica de gestão e padronizações que não possibilita que se trabalhe com o inesperado, com o vivo, com... a cultura. Nos Pontos, as experiências de uso de softwares livres e dos licenciamentos livres e abertos contribuem para um enorme avanço na busca da autonomia do país. Se as escolas aproveitassem essa expertise, poderiam trazer para o seu interior esses ricos processos criativos de produção. Com isso, estariam formando outras teias, trabalhando de forma intensa na busca da produção coletiva de recursos educacionais abertos, com professores, alunos e comunidade envolvidos no processo, favorecendo o acesso de toda a população aos bens científicos e culturais produzidos em nosso país e no mundo.
A leitura dos documentos básicos do CONAE evidencia que pouca referência se faz ao uso de software livre e nenhuma aos recursos educacionais abertos. Isso, seguramente, pode ser um indicativo do tamanho do desafio que ainda teremos pela frente.

Notas para os delegados CONAE
[info]nelsonpretto
Enviei para os delegados que estarão no CONAE (Conferência Nacional de Educação) um email (meio em tom de notas) e creio que seja importante compartilhar aqui no blog.

=================================================
Estimados(as) colegas.

inicialmente peço desculpas pelo email a la spam! Alguns dos destinatários são da minha lista, amigos e colegas, outros apenas conhecidos, não tão próximos. Destes últimos peguei o email no site do CONAE.

Havia recebido da Anped um convite/sondagem para estar no CONAE. Como não recebi mais nenhuma posição, imagino que lá não estarei. No entanto, gostaria de trazer alguns pontos, com o respeito de tod@s, que considero importantes. Não falo nem represento ninguém, mas também considero que tento fazer uma pescagem de todas as listas e redes que participo - incluindo, claro a nossa FACED/UFBA e o Conselho de Cultura do Estado da Bahia, no qual sou membro titular.

Farei em termos de tópicos e, em pelo menos dois casos, farei referencia ao documento básico, vol 1, por já existir uma redação circulando numa das listas que me referi.


1. Um dos aspectos que considero básico e que tem sido um grande problema, no meu entendimento, para as políticas públicas em educação no país é a dificuldade que o MEC tem em "falar" com os demais Ministérios e, consequentemente, com as políticas públicas de Cultura, Comunicações e C&T mais particularmente. Aqui destaco, de maneira geral algumas ações que me parecem fundamentais:

1.1 - Articulação intensa e necessária com os Pontos de Cultura (MinC) política pública de fundamental importância no fortalecimento da cultura "vindo de baixo" em todo o pais, com especial destaque para a questão da cultura digital. A frase lema desse aspecto poderia ser: "As escolas não falam com os Pontos de Cultura!".

1.2 - a discussão sobre a reforma da Lei de Direito Autoral, que o MinC está propondo e que tem que ser objeto de uma análise e uma atuação mais contundente dos educadores. Não vi referencia a isso...

1.3 - A política de Arquivos Abertos (MCT/IBICT) que gerou o SEER (Sistema de Editoração Eletrônica de Revistas Acadêmicas, com 1349 revistas já adotando essa política precisa ser intensificada, transformando-se em política pública.

1.4 A reforma na lei Rouanet (MinC) que trata da questão do direito autoral e que favorece a produção e circulação de bens culturais para a educação

1.5 - Maior ação e apoio INTEGRAL ao Plano Nacional de Banda Larga e a atuação da RNP e do MCT na sustentação da internet no Brasil. Precisamos de todo o sistema educacional público integrado em rede de alta velocidade já!

1.6 - Maior articulação como MCT no campo dos museus de ciências, divulgação científica entre outros.

1.7 - Intensificação e maior articulação com Min Plan no campo do software livre e aberto, parta todo os sistema educacional e para os chamados programas de inclusão digital (infocentros e telecentros). Penso ser esse um aspecto básico e funbdamental que precisa estar presente em todo o sistema educacional público.

No particular do software livre e dos Recursos Educacionais abertos, já existem circulando (algumas só minhas!) propostas de redação para os itens 54, 90 e 91


54 j) Laboratórios de ensino, informática, com software livre, brinquedoteca , em condições adequadas de uso.

90- O segundo diz respeito à dimensão dos direitos dos/as cidadãos/ãs e das obrigações do Estado, cabendo a este último ampliar a obrigatoriedade da educação básica superior; definir e dagantir parâmetros (II, 10) de qualidade, incluindo a igualdade de condições para o acesso e permanência na instituição educativa; definir e efetivar diretrizes nacionais para os níveis, ciclos e modalidades de educação ou ensino; implementar sistemas de avaliação para subsidiar o processo de gestão educativa e para garantir a melhoria da aprendizagem; implementar programas suplementares; de acordo com as espeficidades de cada Estado, Distrito Federaç e Município, dos níveis e modalidades de educação como livro didático, privilegiando recursos educacionais abertos, alimentação (II, 11) escolar, saúde do/da estudante, transporte escolar, recursos tecnológicos livres, segurança nas escolas.

91. ... no lugar de simplesmente laboratórios de informática deveríamos nos referir à tecnologias digitais de informação e comunicação, com software livre, e privilegiando os recursos educacionais abertos....


Observem que em todo os dois volumes, o tema Software Livre e Recursos Educacionais abertos é mencionado apenas como as aprovadas em menos de cinco estado, se corretamente fiz a leitura dos mesmos.

Aqui, um detalhe importante diz respeito ao licenciamento dos produtos que estão sendo elaborados e produzidos para a Universidade Aberta do Brasil (UAB) pelas nossas universidades públicas, com recursos públicos e, que, na minha modesta opinião, precisam ser abertos e livres igualmente.

Sobre a educação a distância, creio ser desnecessário dizer do absurdo de uma política que contrata tutores para serem professores com salário/bolsas aviltantes. Além da necessária insituicionalçização da EAD das universidade e não do tratamento da mesma como "complemento" de atuação e salários para os docentes.

Colegas, perdoem-me mais uma vez tão longo email. Perodem também serem apenas pontos soltos sem um grande aprofundamento. Mas a idéia é juisto a de poder provocar e contribuir. Espero que compreendam a minha intenção.

Estou à disposição para complementações e esclarecimentos. Estou escrevendo algumas dessas coisas com mais links no meu blog, que pode ser acessado a partir de minha página na internet (que está de cara nova desde ontem! em www.pretto.info

abracos fraternos
nelson pretto
Tags:

Conferência Nacional de Educação e REA
[info]nelsonpretto
O que é REA?

São os chamados
Recursos Educacionais Abertos (ou Open Educational Resources - OER) que complementam a nossa luta em defesa de uma sociedade justa e democrática. Esse movimento, em verdade um movimento ativista, está associado com os movimentos em defesa do uso pleno de softwares livres e de código aberto, dos formatos abertos de licenciamento das obras culturais e cientificas, indo do Copyleft mas considerando também as diversas possibilidades trazidas pelo www.creativecommons.org.br/www.creativecommons.org.br/, pelos projetos de revistas acadêmicas abertas (ou os arquivos Abertos). Já escrevi poraqui sobre todos esses temas e muito mais tem que ser escrito e feito. Nesse último aspecto, destaque deve ser dado ao trabalho do IBICT com o Sistema de Editoração Eletrônica de Revistas (SEER). A nossa Revista da FACED também está por lá e no próximo número (nº15, que sai no começo de abril) temos uma excelente artigo do professor Yochai Benkler sobre o tema dos materiais didáticos colaborativos (Saber comum: produção de materiais didáticos entre pares). Hoje, o Brasil já possui 1.349 revista abertas que utilizam o sistema SEER, correspondendo a um significativo avanço para a democratização do conhecimento no pais.
No momento, estamos em início da
Conferência Nacional de Educação, que acontecerá em Brasília de 28 de março a 01 de abril de 2010, os movimentos em torno dos recurso educacionais abertos e livre propõem aos delegados que considerem este aspecto, por exemplo, dando outra redação à item 90 do volume I dos documentos base, conforme está sendo sugerido a seguir:

90- O segundo diz respeito à dimensão dos direitos dos/as cidadãos/ãs e das obrigações do Estado, cabendo a este último ampliar a obrigatoriedade da educação básica superior; definir e dagantir parâmetros (II, 10) de qualidade, incluindo a igualdade de condições para o acesso e permanência na instituição educativa; definir e efetivar diretrizes nacionais para os níveis, ciclos e modalidades de educação ou ensino; implementar sistemas de avaliação para subsidiar o processo de gestão educativa e para garantir a melhoria da aprendizagem; implementar programas suplementares; de acordo com as espeficidades de cada Estado, Distrito Federaç e Município, dos níveis e modalidades de educação como livro didático, privilegiando recursos educacionais abertos, alimentação (II, 11) escolar, saúde do/da estudante, transporte escolar, recursos tecnológicos livres, segurança nas escolas.


E complemento que no item 91, é fundamental a referencia à uma política pública que fortaleça o uso de softwares livres em todos os níveis da educação pública em nosso país, em consonância com as demais políticas que o governo federal vem implantando nesse campo, a exemplo do
Software Público Brasileiros.

Direito Autoral e educação
[info]nelsonpretto
No último sábado aconteceu em São Paulo um debate sobre a educação e a reforma da Lei de Direito Autoral - projeto que está sendo encaminhado pelo MinC.

Já existe um saite para abrigar os desdobramentos dessas discussões, o http://reformadireitoautoral.org/ 
No twitter você pode seguir a discussão também no http://twitter.com/reformaLDA.
Vale a pena ver também a discussão sobre o tema no Fórum de Cultura Digital.

Essas discussões precisam estar associadas com todo o movimento que vem acontecendo no mundo todo em torno dos Recursos Educacionais Abertos. Vou escrever mais sobre isso a partir de agora aqui no blog. Porenquanto, visite o site brasileiro que está sendo construído para abrigar as experiências e os conceitos envolvidos na discussão.

Quero trazer agora uma impressão minha sobre como essas coisas estão andando aqui no Brasil e uso o exemplo da Universidade Aberta do Brasil (UAB).

Acabo de ver os livros produzidos por uma universidade pública dentro do programa da Universidade Aberta (UAB). Todos livros produzidos com financiamento próprio, ou seja os autores são professores (portanto já pagos com salários e outras bolsas de pesquisas) e recebem, ainda, uma bolsa extra para produzir os materiais para EAD.

O resultado no entanto, são livros com copyright do autor ficando com o MEC apenas o direito patrimonial, o que já é um grande avanço mas... é muito pouco.

Para mim, fica claro que teríamos que ter outro tipo de licenciamento para esse material, de forma a possibilitar que mais gente tenha acesso a um material científico e educacional produzido com recurso público.

Novo livro em maio: Meb e Rádio Web
[info]nelsonpretto
Nosso novo livro já está a caminho.

DO MEB À WEB- o rádio na Educação

Nelson Pretto e Sandra Pereira Tosta (Orgs.)

Editora Autêntica – Col. Cultura, Mídia e Escola.

Belo Horizonte – MG- 2008

ISBN: 978-85-7526-448-5

 

 

Neste livro buscou-se pensar de forma ampla a questão da educação e da comunicação, não convidando apenas autores que concordassem com uma ou outra abordagem da temática, que é ampla por sua própria natureza. Compreendendo que o uso das tecnologias na Educação remonta ao início do rádio e da televisão na educação brasileira e que importantes experiências já foram desenvolvidas e constatadas nessa área.


 

Assim, os artigos que compõem o livro contemplam desde o uso do rádio para o desenvolvimento de projetos de alfabetização de jovens e adultos no meio rural, como foi o caso do MEB- o Movimento de Educação de Base ligado a setores da Igreja Católica no Brasil, nos anos de 1960, à transformação do rádio e de suas características referenciais ao assumir a perspectiva de radiodifusão multimídia na Web.


 

Com as transformações tecnológicas em pleno vapor, acredita-seque caberá ao rádio dito educativo apostar em sua função cultural, educativa e social, acompanhando de perto essas mudanças que possibilitam, entre outros fatores, a chamada interatividade. Com isso pode-se vislumbrar uma radiodifusão multimídia, bidirecional, de caráter hipertextual e heterogêneo, além da introdução do visual em conjunto com o áudio, acrescentando o caráter multissensorial que antes não havia.

 

Esses movimentos teóricos, políticos, acadêmicos e também vivenciais, orientaram na organização deste livro. E nele, o leitor poderá trafegar por diversas abordagens, 12 artigos descrevendo e analisando e experiências educativas com o rádio no Brasil e em outros países, como Espanha e Portugal.


Feliz 2010
[info]nelsonpretto
Na Bahia, conta a lenda, tudo só começa depois do carnaval. Hoje é o início do semestre 2010.1 na Universidade Federal da Bahia e, de fato, para nosotros, apesar de termos trabalhados um tico ao logo dos últimos meses, o ano está agora começando.
Aulas, reuniões, orientações, escritas e leituras fazem do nosso trabalho intensificado nas federais (belo livro de Valdemar Sguissardi!).
Ano especial no Brasil por conta das eleições e, no caso da UFBA, também especial porque até maio teremos que ter escolhido o novo Reitor. Curioso nesse aspecto é que, como da outra vez há quatro anos, um silêncio absoluto toma conta de todas as correntes. Algo de muito estranho deve estar acontecendo em algum lugar.
Mas, vamos deixar essa polêmica e alimentar uma outra, essa sim, bastante visível e que anima as páginas de opiniões dos nossos jornais. Trata-se do projeto de ponte que ligará Salvador à Ilha de Itaparica.
Como aqui tudo, muito rapidamente virá meio sacanagem - dá boa! - eis que recebo um croqui da futura ponte logo depois da sua inauguração... O pessoal não brinca em serviço é, seguramente, esse desenho de Flávio Luiz Felipe - que não conheço! - é bastante divertido...
Day after na ponte Salvador Itaparica

Salário dos professores
[info]nelsonpretto
A Folha de São Paulo de hoje, dia 09.02.2010, com chamada de capa traz matéria sobre o trabalho dos professores em tempos de tecnologias digitais de informação e comunicação. "Professor quer extra por trabalho on-line" é a manchete e com destaque: "Remuneração por novos mecanismos, como blogs e Twitter, é a principal reivindicação na campanha salarial da rede particular em SP" e "Docentes dizem que tempo dedicado fora da sala de aula, antes restrito a preparação e correção, dobrou nos últimos anos com essas ferramentas".
Essa é uma questão que já venho tratando desde bastante tempo. Fomos todos contratados para dar aula presencial, naquele tempo que preparávamos a aula em uma fichinha - que em alguns casos eram repetidas ad eternun, e as pobre ficavam até amareladas! -, no tete-a-tete com nosso alunos durante o tempo da aula e... pronto. Íamos para casa e a vida continuava.
Mas não só as aulas: íamos para as escolas e universidades com as avaliações preparadas e as entregávamos num setor para serem dactilografadas (será que você ainda sabe o que é isso?!). Uma máquina de escrever para refrescar a memória!




imagem copiada de http://etc.usf.edu/clipart/4200/4253/typewriter_1_lg.gif


As cadernetas eram preenchidas à mão e.. porai vai.
Hoje,
somos atolados de emails, blogs, twitters, youtubes, fazemos e editamos vídeos, rádio web, e, o que é pior, toda a tarefa administrativa passou a ser executada por nós mesmos. No ensino superior, além de digitar notas, preparar o material, digitá-lo, imprimí-lo - na maioria absoluta dos casos com nossos próprios recursos materiais e em casa - atendemos alunos por email, chats e, em muitos casos, até telefonemas celulares. Aqueles que tem algum tipo de bolsa, são aliviados financeiramente de algumas dessas despesas MAS... mais formulários online, pareceres online, relatórios online e... haja trabalho!
E o salário? O
mesmo! Exatamente e sempre o mesmo...
No caso da rede privada, as convenções coletivas, fruto das negociações lideradas pelos Sindicados buscam, como está sendo feito no caso de São Paulo, incorporar isso como hora extra ou como atividade remunerada.
No nosso caso, das Universidades Públicas, a coisa fica mais complicada porque também na pesquisa já estamos atolados de atividades que, em verdade, nada tem a ver com a pesquisa propriamente dita. São os Lattes da vida (o nosso orkut!), que agora em época de avaliação da CAPES deixa todo mundo histérico, os formulários das agências de financiamento - que insistem em solicitar todos os dados já registrados em outros sistemas -, os editais e tudo mais, tudo on line.
Tudo online. E isso significa: tudo para ser feito por nós mesmos...
Como dizia Chico Anísio, e o salário?! oooohhh!!! desse tamainho!!
Como afirma Valdemar
Sguissardi e João dos Reis Silva Junior, é O trabalho
intensificado nas federais
. Vale a pena ver o livro publicado pela  Editora Xamã, 2009.

A elegância do ouriço e a academia
[info]nelsonpretto
Deliciei-me esses dias ao ler o absolutamente delicioso A Elegância do Ouriço de Muriel Barbery.
Um livro muito bom que conta o relacionamento de uma zeladora (concierge) de um prédio chique de Paris, Michel Reneé, com a jovem Paloma, de quase 12 anos, filha de uma família ricaça.
O livro é encantador e merece ser lido mas, aqui nessa pequena nota para reavivar esse meu blog (que ficou meio de escanteio em tempos de twitter - em breve volta a falar sobre o tema),  eu transcrevo uma pequena reflexão onde a astuta, sensível e simpática - para mim, não para os moradores do número 7 da Rue de Grenelle - recebe através de um boy o manuscrito de uma tese da fraquinha irmã de Paloma. Reneeé, morrendo de curiosidade, vai lendo a tal tese, analisa o trabalho da moçoila e, claro, da universidade.
Michel Reneé:

"(o trabalho) [é] sideral, inebriante como o mau vinho e sobretudo muito revelador do funcionamento da Universidade: se você quer fazer carreira, pegue um texto marginal e exótico (a suma lógica de Guillaume d'Ockham [no caso do trabalho dela]), ainda pouco explorado, insulte seu sentido literal procurando nele uma intenção que o próprio autor não tinha percebido (pois todos sabem que, em matéria de conceito, o não-sabido é bem mais poderoso do que todos os desígnios conscientes), desforme-o até o ponto de ele apresentar semelhança com uma tese original (é a força absoluta de Deus que fundamenta uma análise lógica cujas implicações filosóficas são ignoradas), queime, enquanto isso, todos os ícones (o ateísmo, a fé na Razão contra a razão da fé, o amor pela sabedoria e outras baboseiras caras aos socialistas), dedique um ano de sua vida a esse joguinho indigno, às custas de uma coletividade que você acorda as sete da manhã, e mande um boy à casa do seu orientador de tese."

Bom, vá ler o livro. Enquanto isso, pense um pouco sobre as nossas universidades.

You are viewing [info]nelsonpretto's journal